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sexta-feira, 22 de julho de 2022

Encontro Marcado com Sá & Guarabyra, Flávio Venturini e 14 Bis!

 

Acho que já falei aqui em shows que funcionam como uma viagem afetiva, não é? Pois então, esta noite essa viagem foi intensa e cheia de significados.

Prá mim, foi um mergulho à minha essência. Um "setocol" da emoção. Foi lindo, foi intenso e emocionante por tudo que estava ali naquele teatro.

Eu tenho uma ligação emocional com todos aqueles músicos que estavam ali no palco. Sá & Guarabyra e seu Pó da estrada me arrebataram quando era ainda muito jovem, mas já amava tudo que uma estrada poderia significar. 14Bis foi uma das bandas que me fez apaixonar pela música brasileira. Eles junto com Roupa Nova e A Cor do Som, me fizeram descobrir que eu queria ser jornalista. Foram trilha sonora de muitos momentos importantes da minha vida. E seguem no meu coração até hoje como de toda a plateia que se fez presente no Teatro do CIC. E o teatro estava lotado!

Por tudo isso a noite já seria emocionante, mas aí eles resolveram abrir com as duas músicas que mais queria ouvir: Pássaro e Criaturas da Noite. São duas músicas de uma poesia  que sempre me faz ficar reflexiva! E a partir daí foi um desfile de sucessos e bons papos. O público estava emocionado e não foi pra menos: olhar para o palco e ver tanta gente grande na arte da música brasileira foi um presente.

Sá & Guarabyra

A dupla se formou em 1971, em 72 passou a ser um trio: Zé Rodrix se juntou aos dois. Mas logo saiu e a partir de 1974 a dupla Sá & Guarabyra seguiram juntos. Escreveram uma carreira com muitos sucessos como Pássaro, Sete Marias, Sobradinho, Dona, Espanhola (essa em parceria com Flávio Venturini). 
Aliás, a história de Espanhola foi contada durante o show por Flávio e Guarabyra. Em uma madrugada fria de São Paulo Guarabyra, expulso do bar onde era "habituê", saiu pelas ruas e pensou: não vou conseguir chegar em casa vivo com esse frio. Então, decidiu dar uma paradinha na casa que o Flávio dividia com os outros meninos do grupo "O Terço". A ideia era se aquecer um pouco para continuar a caminhada até sua casa. Chegando lá perguntou ao Flávio se ele tinha feito algo nos ultimos tempos e Flávio toca um tema instrumental que Guarabyra, na hora, se ofereceu para colocar letra. E o fez de uma "tacada" só. Ele lembrou de uma amiga que, na verdade, ele queria que fosse bem mais que uma amiga mas, não rolou. E assim nasceu Espanhola. Depois de escrever, foi pra casa e no dia seguinte Flávio ligou pra Guarabyra, para elogiar a letra e ele nem lembrava que tinha escrito...coisas da nossa música rsrsrs

14 Bis

A Banda foi formada em 1979. Os músicos vieram de bandas e artistas que já estavam no mercado mineiro. Flávio Venturini e Sérgio Magrão estavam na banda "O Terço". Hely Rodrigues e Vermelho tocavam com a Bendegó e Cláudio estava com Lô Borges. A Banda estreou com nada mais, nada menos do que Milton Nascimento como produtor do primeiro disco. Ali já começou uma estrada de sucessos como Natural, Mesmo de Brincadeira, Nave de Prata, Caçador de mim, Canção da América, Uma velha Canção Rock'n'roll, isso só para citar algumas.
Paralelamente ao trabalho com 14 Bis Flávio Venturini já vinha investindo em uma carreira solo e depois de dois discos lançados Flávio saiu da banda que segue sem ele até hoje.

Flávio Venturini

Prá mim esse mineiro se resume a uma palavra: inspiração! Flávio tem um dom na arte de compor melodias maravilhosas e é dono de sucessos com letras que dizem muito: Noites com Sol, Princesa, Nascente, Criaturas da Noite, Céu de Santo Amaro e tantas outras. 


O mais legal de tudo é que esses artistas todos tiveram suas carreiras entrelaçadas e muitas histórias em comum. Algumas contadas durante o show, como foi o caso do nascimento de "Espanhola".
Foi uma bela viagem musical. Compositores e músicos incríveis que listaram uma sequência de sucessos com um show que durou quase 3 horas. 
Desde o puro romantismo de "Sonhando o Futuro", o rock rural de "Sobradinho" até o rock progressivo de "Planeta Sonho".
Obrigada Eveline Orth por nos proporcionar esse momento raro!!!
Eu saí de lá com energia renovada, com muitas sensações. Foi uma terapia para o coração!


Obrigada meus queridos por tanta música boa e que dizem tanto!!!!
e a cereja do bolo foi curtir essa viagem ao lado do meu irmão Juliano e da minha amiga Andréa Lucena!

Bastidores - 










domingo, 19 de junho de 2022

La Traviata da Camerata Florianópolis!

Uma noite de GALA para nossa arte!


La Traviata interpretada pela Camerata Florianópolis, músicos convidados e elenco de bailarinos e cantores foi um espetáculo primoroso. Cenário, iluminação, figurinos emolduraram o talento de cada um que esteve naquele palco. Legendas no alto do telão, deixaram todos sem perder o fio da meada da história!


A  ópera fala de uma história de amor entre uma cortesã, Violetta, e um jovem da classe alta, Alfredo. Os dois apaixonados encontram pelo caminho o preconceito que acabou fazendo com que os dois se separassem e só se reencontrassem no fim da vida de Violetta.  De Giuseppi Verdi, a opera é pura emoção e os nossos artistas mandaram bem demais.

Eu, particularmente, quando vi que teriam 3 intervalos, achei que seria cansativo. Mas nada. Passou rápido demais e me emocionou muito. prova que quando é bom, o espetáculo te envolve de um jeito que a gente não consegue explicar! Isso é arte!!!! Todos ali no palco foram excelentes, mas deixa aqui eu fazer uma reverência a Carla Domingues: que voz! que interpretação! Assim como Giovanni Tristacci na pele de Alfredo e Douglas Hahn como Giorgio, o pai de Alfredo. Além de serem exímios cantores, são ótimo atores! 


Sobre a Camerata, já falei muitas vezes aqui: todo mérito a esses músicos que popularizam o erudito, se jogam em  projetos improváveis e sempre o fazem com uma dedicação brilhante. Que bom que temos a Camerata em Florianópolis. 

No fim do espetáculo falei ao Maestro que lindo seria ter esse espetáculo ao ar livre, na rua, na frente da catedral, por exemplo. Porque eu não tenho dúvidas que o público iria amar! Nossa arte precisa estar nas ruas, ser acessível. Então, patrocinadores, bora?

Vou deixar aqui uma foto da fica técnica porque TODOS merecem ser citados! Não quero esquecer ninguém!!


Parabéns e que em breve a gente possa ter este espetáculo novamente!


Bastidores:

                            Eu, Paola e a maravilhosa Iva Giracca 


                            Eu, Paola e Silvio com o Maestro

domingo, 5 de junho de 2022

TITÃS 40 ANOS


O show começa com "Sonifera Ilha" e assim que a música termina Sérgio Brito explica: "Hoje nós estamos aqui desfalcados. Branco Mello vocês sabem, não está podendo estar presente aos shows (ele está afastado para cuidar da saúde) e Beto Lee descobriu que está com Covid dias antes da nossa viagem aqui pro sul". Tony Belloto completa: "então esse é o show da superação e vamos contar com vocês." Pronto, a noite estava ganha. Um contrato direto com público que lotou o CIC e estava muito a fim de ver aquele show.

E vou dizer: o público que esteve lá foi um show à parte. Foi lindo de ver o calor humano, as reações, a pegada junto com esses caras que são grandes da nossa música.   


Eu fui de coração aberto, sem grandes expectativas e me surpreendi. Foi um baita show!

Repertório muito bem escolhido passando por grandes sucessos e por obras que não ganharam tanta popularidade, mas que são maravilhosas como a ópera "Doze Flores Amarelas".

Um show como este, tem um tempero especial: a memória afetiva. Para quem viveu a efervescência da música nacional nos anos 80, 90 não tem como não ter feito uma viagem ao tempo durante o show. 


Titãs explodiu com Sonífera Ilha e depois foi um sucesso atrás do outro. Mesmo com uma receita na mão que estava dando certo, não se acomodaram. Quando poderiam ter repetido a fórmula eles chutaram os móveis da sala e chegaram com "Cabeça Dinossauro"! Que disco minha gente. Lembro até hoje do dia em que sai da loja com a bolacha nas mãos e a ouvi pela primeira vez. Um trabalho inquietante que quanto mais eu ouvia, mais amava. Pra mim um dos melhores da banda pela proposta, letras e ativismo sem cair no lugar comum. Tanto que as músicas estão atuais até hoje, o que nos mostra que o país mudou muito pouco de lá pra cá.


Quando surgiu, em 1982, a banda tinha um número de integrantes incomum: chegou a ter 9, mas na formação mais clássica já eram 8: Arnaldo Antunes, Branco Mello, Sérgio Britto, Nando reis, Paulo Miklos, Marcelo Fromer, Tony Belloto e Charles Gavin. Outros dois nomes chegaram a fazer parte da banda no começo da história: Ciro Pessoa e André Jung. 

Com o crescimento da banda e a experiência de estrada e de vida, os integrantes foram se desenvolvendo e os talentos cada vez mais crescendo. Se tornaram, realmente, um grupo de Titãs da nossa música brasileira. Tanto que a banda começou a ficar pequena para tanta ideia, tanta criatividade e aos poucos boa parte dos integrantes foi saindo. Resolveram investirem em suas carreiras solos.

Que bom que Branco, Sergio e Tony não deixaram essa história ficar no passado.


O show deu recados muito importantes: preconceitos, violência contra a mulher e outros temas políticos importantíssimos. Tudo regado ao apoio incondicional de um público ilhéu que ama Titãs. 

E não é à toa: Titãs tem uma bela história com a ilha. Pimeiro porque os manezinhos se apossaram de "Sonifera Ilha" como sendo uma música para a Ilha da Magia e também porque foi aqui que a banda gravou um dos DVDs mais lindos: "Titãs "MTV, ao vivo" no Forte São José da Ponta Grossa, em Jurerê, isso em 2005. Na época, tive a oportunidade de acompanhar dos bastidores e foi lindo demais.

Hoje, saí de lá, com o coração aquecido e com a memória em dia. Lembrar tantos sucessos e tantas músicas lindas fez bem pra alma!!! Parabéns meninos: nunca deixem esta história morrer.

Eveline Orth, obrigada pela recepção sempre!!! Linete Martins, obrigada pela atenção, carinho!!! Vocês contribuem muito para o enriquecimento cultural da ilha"

Até o próximo.


 


quarta-feira, 4 de maio de 2022

Outros Bárbaros lança “Interlúdio na beira do caos"

 


Que coisa boa voltar à Célula Show case. Quando cheguei lá com a Eveline e a Carol, um filme passou na lembrança: muitas noites de música e festa vividas lá. Amizades, amores. A casa continua a mesma, com o mesmo astral e o público que é característico: uma turma que ama se divertir ao som de boa música!

Nesta noite foi mais uma festa deliciosa. Fui lá pra ver o lançamento do novo trabalho da banda "Outros Bárbaros". Um show mega especial com 10 convidados! Amigos no palco e fora dele. 
Para abrir o som do DJ Jean Mafra! ôh saudade que eu estava!!! E Jean é uma atração à parte: dança, curte e garante performances contagiantes em cada música que escolhe para balançar o público. Muito bom!!!!

Depois de preparar o público, Jean deu espaço para a banda ocupar o palco.
Eu amo o trabalho da "Outros Bárbaros". Instrumental impecável e letras fortes. E vou dizer que, pra mim, uma música que não me diga nada não me interessa. O primeiro lançamento da banda foi em 2018. E já veio dando recado:
(...)Misóginos
De plantão
Estranha
Salvação
E o que resta a nós?
Que parte cabe a nós?
A não ser resistir?
O que eles querem?
Que ainda não têm?
E que deus é esse?
Que só a eles convém? (...)  [O que eles querem - Maurício Peixoto]

A Banda é formada por Maurício Peixoto
 (voz e guitarra), Eduardo Lehr (baixo), Diego Stecanela (teclados) e Marco Mibach (bateria).
O trabalho lançado neste show, o primeiro grande show da banda depois das restrições da pandemia, foi “Interlúdio na beira do caos”. A obra foi produzida por Alexei Leão e traz dez faixas. Participaram das sessões em estúdio os músicos Jean Carlos (trompete e arranjo de metais), Carlos Schmidt (trombone e bombardino), Rafael Thiesen (sax alto e tenor), Douglas Godoy (percussão), Léo Vieira (vozes), Márcio Bicaco (vibrafone), Luiz Zago (arranjo cordas), Iva Giracca (violino e viola) e Érico Schmitt (violoncelo).

O trabalho reúne novamente composições fortes e lindas.

 
(...)Quando me perdi
Dei por mim já estava aqui
O mundo vai chover nós dois
E as flores que virão depois
Vão ter o seu lugar

E assim a vida vai
Imensa, lenta e vã
E a gente a divagar
Sabendo que o amor
É um moinho a triturar (...) [Moinhos - Maurício Peixoto]


É cada letra!!!!

O show foi muito bem produzido e foi um banho de poesia no bom ritmo do rock! Foi uma noite em que público e banda estavam 100% no mesmo astral. Saí d elá com a sensação que nossa vida realmente está voltando aos bons tempos.

Quem ainda não conhece o trabalho da banda super recomendo. 



sábado, 23 de abril de 2022

BANDA EXPRESSO RURAL E A DUPLA KLEITON & KLEDIR


Dizem que a música é igual a um perfume: tem o poder de te transportar para momentos marcantes da sua vida. Pois o show desta noite teve o poder de me levar a memórias afetivas da minha vida!

Um set list recheado de sucessos em interpretações lindas.



KLEITON & KLEDIR

Meu primeiro contato com Kleiton e Kledir foi através da obra do grupo que eles tinham na década de 70, Almôndegas. Canção da Meia Noite foi por muito tempo uma das top 10 na minha "playlist". No começo da década de 80, com Almôndegas dissolvida,  os irmãos se lançaram como dupla e aí como não lembrar de sucessos como "Deu Prá Ti", "Festa de São João", "Paixão". Kleiton e Kledir cravaram a marca da, então, nova música gaúcha no cenário nacional.



EXPRESSO RURAL

Já a Expresso Rural tenho uma ligação de admiração pela obra e amizade pelos músicos. Já contei esta história aqui, mas foi com eles que acabei estreando no jornalismo (ainda de forma amadora) quando o "Jornal A Ponte" publicou uma matéria que fiz com mais 3 amigas, uma delas a irmã de Daniel Lucena, Andréa. Acabei me tornando amiga dos integrantes, especialmente do Daniel Lucena por causa da minha amizade com a Andréa.

Daniel é o autor de letras maravilhosas e responsável pelos maiores sucessos da Expresso Rural. Daniel Lucena nos deixou em dezembro de 2020. Um ano após a morte, o livro contando a história da vida dele foi lançado. Felipe Rigon Borba começou a escrever com a colaboração direta do Daniel que chegou a aprovar a versão final. É uma obra que resgata muitos fatos da cultura catarinense através do olhar de Daniel Lucena. Uma bela homenagem. E é bom que se diga que o livro é sobre o Daniel, sua história e visão dele de como tudo aconteceu e não sobre a história da Expresso Rural. Claro que a Expresso está ali, mas com certeza a históri da banda rende outro livro. Digo isso porque ainda tem gente que não entendeu a diferença!

A Expresso seguiu sem ele. Nos últimos anos, Daniel, já estava mais como figurante no palco já que a voz andava bem debilitada. Mas só a presença dele já era suficiente, sempre bem humorado! E ele faz falta!

Atualmente, dos músicos fundadores, apenas Zeca Petry segue na banda. Marcos Ghiorzi já havia deixado a banda, há muito anos, por causa de compromissos particulares. Paulo e Volnei também se afastaram da banda que segue com Ricardo Malagoli na bateria, Jack Moa voz e violão, Robson Dias no baixo e vocais e Luciano Nogueira teclados e vocais. 




No show desta noite o público entendeu como a história da Expresso está entrelaçada com a história de Kleiton e Kledir. Zeca disse que começou a tocar por causa da banda Almôndegas e que ele e Daniel acabaram formando a banda por causa de encontros ao som da música dos gaúchos.

Kledir contou uma história hilária de como surgiu o nome "Almôndegas". Foi em uma noite muito alucinada, no bairro Bom Abrigo, em Floripa. Ele e Gilnei (que também viria a ser integrante da Almôndegas), avistaram uma vaca e entraram numas de fazer uma ópera contando a história da vaca que viraria uma almôndega. E assim surgiu o nome. Eles contando os detalhes foi o momento de risos frouxos na plateia nesta noite!

A verdade é que a dupla acabou conhecendo Zeca Petry em Miami, quando Zeca morou lá. Dali surgiu uma grande amizade e hoje culminou nesse show maravilhoso.

Kleiton & Kledir amam a ilha e fizeram uma música para Florianópolis. Tocaram hoje em primeira mão! Em breve será lançada em parceria com Expresso Rural. (Aliás, vem mais novidades envolvendo a Expresso e um trabalho novo com a assinatura da Orth produções. Aguardem!)

Na noite, houve momentos da dupla, da Expresso e da Almôndegas com a participação do Gilnei no palco. Lindo demais.

O show vai neste sábado para Joinville e domingo para Blumenau.

Super recomendo e espero que eles repitam a dose em Floripa.

Um encontro maravilhoso da música do sul do país. Rio Grande do Sul e Santa Catarina no palco. Artistas que espalharam sucessos e a  boa música por aí. Muitas histórias contadas entre uma música e outra. Um astral maravilhoso.

Parabéns amigos!!!!

Parabéns Eveline Orth, por mais um show espetacular!


quarta-feira, 20 de abril de 2022

Grupo Corpo: Primavera e Gira

Que bela noite para estar VIVA!!!
Reencontrar a arte do Grupo Corpo foi um presente para a alma. Os espetáculos desta cia de dança sempre impulsionam sentimentos: vontade de se jogar na vida, sair rodopiando e deixar só o corpo nos levar!
O Grupo Corpo foi fundado em 1975, por Paulo Perdeneiras, em Belo Horizonte. Estreou com o espetáculo "Maria Maria", com música original assinada por Milton Nascimento, roteiro de Fernando Brant e coreografia do argentino Oscar Araiz. 
Eu Vi o Grupo Corpo, pela primeira vez, em um dos Festivais de Dança de Joinville, na década de 90. Eles já eram uma grande atração nacional. Lembro que quando o espetáculo começou eu logo me apaixonei pela linguagem, pela música, pelo enredo, pelos movimentos. Não dá pra explicar, a gente só sente. Desde lá venho acompanhando o trabalho. Para mim, um dos diferenciais do Grupo é a valorização da música brasileira nos espetáculos. Sim, eles passeiam entre o clássico e o popular e o que mais me toca são os espetáculos com trilhas brasileiras.
Foi o caso da dupla apresentação com Primavera e Gira!


PRIMAVERA

A noite começou com o espetáculo "Primavera" uma oração ao recomeço. A alegria dos figurinos criados por Freusa Zechmeister nos leva de forma certeira a alegria da primavera colorida pelas flores. A fonte musical veio do universo infantil do "Palavra Cantada". Rodrigo Perdeneiras escolheu 14 canções de um repertório de 27 anos de carreira Paulo Tatit e Sandra Peres. Essas 14 canções ganharam versão instrumental. Leveza e alegria, esses foram os sentimentos que vieram nos movimentos alegres, emoldurados por saias coloridas ajudando no desenho dos movimentos no ar. 

O espetáculo "Primavera" nasceu em plena pandemia com todas as restrições impostas. No release do espetáculo, Rodrigo Perdeneiras explica :  “Há somente três pas-de-deux. Só se tocam os bailarinos que são casais, vivem juntos” - Agatha e Lucas, Mariana e Elias, Karen e Rafael. “O restante do espetáculo se desenvolve em duos, trios, quartetos e todos mantêm distância entre si; há somente uma cena com oito bailarinos”. Além dos bailarinos, estão no palco duas câmeras pequenas que projetam em uma tela de tule preto, em tempo real, o movimentos dos bailarinos. O efeito dá ainda mais movimento ao espetáculo.  

O Grupo Corpo foi muito feliz em unir as cores da primavera e a leveza do universo musical infantil. Foi um afago: estamos de volta, reconquistando nossa liberdade de viver e conviver!!! 

P R I M A V E R A 

  • Coreografias Rodrigo Pederneiras 
  • Música Palavra Cantada 
  • Cenografia Paulo Pederneiras 
  • Figurinos Freusa Zechmeister 
  • Iluminação Paulo Pederneiras
  • Gabriel Pederneiras Duração: 36 minutos
Projeto viabilizado pela LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA e pela LEI DE INCENTIVO À CULTURA DE MINAS GERAIS. Patrocínio master: INSTITUTO CULTURAL VALE Patrocínio: ITAÚ, ARCELORMITTAL, CEMIG Patrocínio local: INSTITUTO UNIMED-BH Realização: SECRETARIA ESTADUAL DE CULTURA DE MINAS GERAIS, GOVERNO DE MINAS GERAIS, SECRETARIA ESPECIAL DA CULTURA, MINISTÉRIO DO TURISMO, GOVERNO FEDERAL



GIRA

o nome "Gira" sugere a linguagem da umbanda e candomblé. Mas vai além. O Coreógrafo Rodrigo Perdeneiras se inspirou nos ritos da umbanda, a mais cultuada das religiões nascidas no Brasil, resultado da fusão do candomblé com o catolicismo e o kardecismo. Rodrigo interpreta esse universo com a característica dos movimentos sensoriais aplicada pelos bailarinos. Resultado é um espetáculo forte com 11 temas criados pelo grupo Metá Metá. Entre as vozes presentes nas músicas está a de Elza Soares, impossível não sair da zona de conforto ao ouvir aquela voz incrível sendo embalada por uma coreografia intensa.

O cenário reproduz uma grande caixa e nas laterais e fundo do palco há lugares onde os bailarinos que estão fora de cena se cobrem com um tule preto. o Efeito é forte! Assim como o figurino criado por Freusa Zechmeister: homens e mulheres com dorso nus e uma saia branca. Lindo demais.

GIRA

  • coreografia: Rodrigo Pederneiras 
  • música: Metá Metá 
  • cenografia: Paulo Pederneiras 
  • figurino: Freusa Zechmeister 
  • iluminação: Paulo Pederneiras e Gabriel Pederneiras

Eu amo música e por extensão a dança! O nosso corpo é incrível. O movimento me encanta e ver tudo isso tão bem orquestrado em um só espetáculo dá uma sensação de VIDA! O Grupo Corpo tem uma identidade nos movimentos. Mudam as gerações mas a marca continua a mesma. Os conhecedores de dança identificam a marca da Cia somente pelos movimentos. E um trabalho com identidade tão forte não tem como não ser destaque no mundo!

Parabéns ao Grupo Corpo!

E obrigada Eveline Orth, por resistir em trazer espetáculos tão necessários para Florianópolis! e por me incentivar a voltar a escrever neste bloco! Obrigada minha amiga!

  


sábado, 15 de dezembro de 2018

Tribalistas na Arena Petry!!!


Quanta poesia no palco!!!
Ver os Tribalistas ao vivo é, antes de tudo, uma experiência! 




Quando eles uniram seus talentos, lá em 2001, eu pirei na musicalidade deles juntos. Já conhecia muitas parcerias entre eles, mas os três, assim, juntinhos, transbordou o prato de música boa.
E desde então, tinha o sonho de vê-los ao vivo. 
Na época eles deixaram claro que não sairiam em turnê. Mas para nossa alegria, depois da gravação do mais novo trabalho, eles resolveram fazer as malas e sair por aí!!!



E ontem aportaram em São José, na grande Florianópolis.
Que noite minha gente!
Prá quem é fã da boa música foi um êxtase do começo ao fim.
Cada um com seu jeito, cada um com sua contribuição.



Arnaldo com sua presença de palco única, uma voz envolvente e a poesia das palavras entrelaçadas. 



Marisa com a musicalidade nas mãos e na voz. Ela se divide em dois microfones, um só para dar aquele efeito aos tons de nuances que ela coloca nos vocais das músicas.  Marisa também trouxe para o show dos tribalistas as projeções que usa nos shows dela o que torna o cenário um elemento envolvente em cada música seja com fotos, letras das músicas ou vídeos. É lindo demais. 



E Carlinhos, bem Carlinhos é um ser fora da curva. Fiquei parte do show só focada nele e na dança que ele faz com aqueles instrumentos todos. Uma cozinha repleta de temperos, muitos deles de criação própria, que dão um toque, um tempero em cada nota musical. É lindo de ver ele se divertindo ali e trazendo essa leveza aos nossos ouvidos. São detalhes, são mimos que fazem a música dos Tribalistas ser tão Tribal. 
Além deles no palco músicos que são Mestres no que fazem: pedro Baby (filho de Pepeu Gomes) fera demais nas guitarras e vocais!!! Amo ver ele tocando!!! Dadi, que está sempre com os três, no baixo. E com Dadi vem a memória afetiva da A Cor do Som, a banda que fez parte da minha adolescência, que sou fã até hoje e que me fez gostar de música no real sentido do que essa arte significa. Imagina, uma menina de 14, 15 anos, que nunca tinha visto um show ao vivo na vida, fã de música instrumental!!! Até hoje ouço "Frutificar", "Dança das Fadas", "Saudação a Paz"!!! E lembro do meu deslumbre a primeira vez que os vi no palco, no colégio Catarinense, na década de 80. Anos depois tivemos o prazer de oferecer um jantar para eles, ali começei a descobrir meu lado "jornalista" mas esta é outra história !!!!
Voltando aos músicos: ainda temos Pretinho da Serrinha, outro ser com uma musicalidade linda e Marcelo Costa quebrando tudo na bateria.



No repertório os sucessos dos trabalhos do Tribalistas e também de parcerias entre eles para os trabalhos solos de cada um.
Muito bom ver Busy man - Sem Você, no repertório. Amo essa música!


Foram essas parcerias que acabaram unindo os três em uma proposta única. 
E teve as consagradas "Velha Infância", "Carnavália", "É Você", "Já Sei Namorar"!! Outras já consagradas do ultimo trabalho como  "Aliança", "Um Só", "Fora da Memória" e a que eu amo "Trabalivre"!!!!


O lindo de ver eles no palco é que ali está a celebração de um dos sentimentos mais importantes na nossa vida: a amizade!!! Cada um deles é dono de uma carreira musical vitoriosa. 
É um todo formado de uns poderosos. E cada um abre mão de seu protagonismo para dividir e celebrar. 
Que sorte a nossa estar ali para celebrar esse sentimento com eles.


Obrigada Orth produções, por mais este sonho realizado!!!!!

Sobre a Arena Petry!
Não tem como não falar do lugar!!!
Finalmente temos um espaço de respeito para grandes shows. Parabéns família Petry e muito obrigada por ter a iniciativa e a coragem de realizar um investimento tão grande em uma época tão difícil.
O lugar tem estrutura para grandes shows. O palco foi pensado para isso, com pé direito enorme  e espaço para receber grandes bandas, espetáculos de teatro, dança...enfim, hoje podemos receber shows grandiosos como foi o show dos Tribalistas. Vamos entrar no roteiro de atrações internacionais e isso é espetacular pra quem, como eu, ama música! 
Uma estrutura com segurança e conforto. 
O estacionamento custa R$30,00, mas é todo sinalizado e asfaltado bem diferente de algumas casas da ilha que cobram R$50,00 pra estacionar na lama (quando chove). 
Mas é preciso que o público também colabore. Não adianta deixar pra ir ao show em cima da hora, aí vai pegar fila no trânsito. 
Ontem fui cedo, cheguei uma hora antes do show. Não pegamos trânsito, não teve fila pra entrar. A saída também foi tranquila pelo movimento que deu.
Muito bom!!! Bora ficar atento a agenda da casa que promete atrações para todos os gostos!!!!!