domingo, 16 de abril de 2017

Novos Baianos em Floripa!



Quanta história estava ali no palco do Centro Sul ontem à noite!
Quanta história minha estava ali... revivi tanta coisa em mais de duas horas de show... impossível descrever tudo. Sentimento, muitas vezes, a gente não consegue traduzir nem dar a devida dimensão que ele tem!!!

 
Revivi minhas tardes e noites ouvindo música na salinha da casa da minha família em Concórdia e mais tarde no meu quarto, aqui em Floripa, no apartamento que dividia com meus irmãos.
Lá em Concórdia eu descobri aos 13, 14 anos o grupo A Cor do Som. Eles me fizeram gostar de música instrumental e principalmente: de música brasileira! Buscando saber a história daquele grupo de músicos baianos e cariocas fiquei sabendo que o Dadi já tinha feito parte de um grupo chamado Novos Baianos e que faziam parte desse grupo Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Moraes Moreira e Paulinho Boca de Cantor que já estavam em carreira solo. Lá fui eu comprar os trabalhos solo desses caras e descobri um mundo de música boa. Cheguei a um vinil de uma apresentação de Pepeu e Baby (casados na época) no festival de Montreux, na época uma consagração para um músico brasileiro. Nesse vinil tinha uma versão de Brasileirinho cantada pela Baby. Eu fiquei embasbacada, já com meus 15 anos, morando na capital e descobrindo que podia ver os artistas em shows, ali no palco. Ouvia aquela música no volume MIl em casa... emocionante, lindo demais. E lamentava: que pena não ter visto Novos Baianos juntos, ao vivo. E olha o que a vida faz!!! Me traz eles de volta, todos eles...juntinhos, lindos, mostrando que a música mantém a gente com alma de criança, de adolescente...e prá coroar tudo isso eles tocam "BRASILEIRNHOOOO" com a baby cantando divinamente... óbvio, chorei, voltei ao tempo e agradeci muito a esses caras por tudo que fizeram e fazem por nossa música!!!

Que aula de brasilidade!!!

Prá quem não conhece a história dos Novos Baianos: resumidamente,  eles se encontraram na Bahia em época de ditadura por aqui. Eram jovens que não compactuavam com aquela atrocidade que era o regime militar. Eram paz & amor & música! Faziam da música seu canal de protesto. E mais que isso: VIVIAM o que pregavam, por isso eram verdadeiros. 
Eles se conheceram em bares de Salvador e através de amigos. Em 1969 fizeram o espetáculo "O Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal". Foi a primeira vez do grupo em um palco: O agrônomo Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor que cantava em uma orquestra, Moraes Moreira que já cantava nas noites de Salvador, Baby Consuelo ( a carioca do grupo que conheceu a turma durante as férias em Salvador) e Pepeu Gomes! (Não sei se o Dadi já fazia parte)
Tom Zé, conheceu o grupo e como Moraes falou ontem "nos trouxe para o sul". Foram morar no Rio e moravam juntos, uma comunidade anárquica que funcionava muito bem e fez com que eles vivessem uma integração musical intensa. Dadi, que também já conhecia Pepeu já estava no grupo. 


No Rio, se mudaram para um sítio que chamaram de "Cantinho da Vovó" onde Baby e Pepeu  tiveram filhos e todos continuavam juntos numa moradia que respirava liberdade e música.  Foi ali que tiveram contato com  João Gilberto que ía visitar dos "malucos" e levou até eles o samba e a veia da música pura brasileira. Daí surgiram trabalhos históricos como o "ACABOU CHORARE" que dá titulo a essa turnê do reencontro.

Anos depois, Moraes saiu em carreira solo e aí o grupo apesar de ter continuado, foi perdendo a força. Desse grupo surgiram as carreiras solo de Galvão, Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Pepeu Gomes, Baby Consuelo e o Grupo A Cor do Som que era a base que acompanhava o Moraes em carreira solo.

Se espalharam como um polvo com seus vários tentáculos e alimentaram nossa música que foi além do País. Foi muita coisa boa pelos anos 70, 80 e 90. Músicas que nunca morrem porque são boas demais. Poesia pura como "Mistério do Planeta", "Preta Pretinha", entre tantas outras.
Quando vim morar em Floripa tive a oportunidade de ver shows de Pepeu, baby, Moraes e muitos shows da A Cor do Som para quem a gente (eu e um grupo de amigas) teve o prazer de fazer um jantar lindo, na época do disco "Magia tropical". Historias que já contei por aqui rsrsrs



No show "Acabou Chorare", eles fazem uma viagem aos anos 70.
A noite começa com um vídeo mostrando eles no sítio... jovens, com filhos pequenos e muita música e depois que cai a cortina...é só sonzeira!!!

Estão muito bem e reverenciam a presença de Galvão no palco. Ele já com limitações, mas com uma presença forte demais, recitando a poesia que sempre esteve presente neles.


Baby Consuelo é um capítulo à parte: brincalhona, cantando maravilhosamente, muito bem fisicamente e principalmente espiritualmente. Se divertiu muito no palco e nos divertiu também. O exemplo de mulher "empoderada" muito antes dessa palavra ser moda! Palmas pra ela: mais que discurso ela é prática!!! Sou fã Baby do Brasil.


E Moraes, Dadi, Pepeu, Paulinho, Didi, todos que estavam ali, uns monstros na arte de tocar.
O público retribuiu com palmas, gritos e com um coro lindo. Baby falou  "ver os filhos, netos de quem estava com a gente naquela época, aqui agora, é bom demais".

Foi lindo demais!!!!
E que bom que vivi pra ver isso.


Tenho que agradecer, como sempre agradeço, a Eveline Orth por acreditar, por investir, por ter a coragem de trazer espetáculos como este a Floripa!!! Eveline, és uma monstra. Te admiro demais e agradeço demais por nunca desistires!!!!!

Novos Baianos: obrigada por tudo, por tanta música, por continuarem aí, por valorizarem nossa arte, nossa poesia. Por mostrarem pra essa nova geração que MPB é rock, é baião, é essa mistura que faz a gente sair do conforto e dançar muito, por mostrarem que uma letra de música deve ser poesia, deve ter recado, deve fazer pensar e nos fazer melhores. Obrigada...obrigada e obrigada!!!!!

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

2016!!!!






O que falar de 2016, hein?

Lembro que em 2014 eu escrevi um post e coloquei o título, "2014: eu sobrevivi."

Pois bem, esse título caberia bem prá 2016.

Tanta coisa aconteceu... um ano difícil, como sempre é difícil amadurecer. E acho que 2016 trouxe muitas oportunidades para que a gente pudesse amadurecer.


Recebemos as olimpíadas e vimos que somos capazes de fazer bonito em organização e competência. Vimos que o verdadeiro espírito olímpico faz a diferença e que os atletas paralímpicos são os mais fodas de todos. Deveriam receber a mesma valorização dos atletas olímpicos tidos como "normais".


Vimos a maior crise econômica e política em nosso País. 

Votação do impeachment, uma vergonha alheia.
O próprio impeachment, um desrespeito à democracia. Não sou PT, (aliás, não tenho partido) não concordo com o que Lula em cia fizeram com o País, mas defendo a democracia. Tinham que sair pelo voto. E é aí o maior aprendizado do ano: tivemos a certeza que ainda não sabemos votar quando reelegemos muitos políticos corruptos. 

Vimos muito ódio em redes sociais e em manifestações. Vivenciamos muitas tragédias...perdemos referências culturais e nós, os catarinenses, perdemos colegas e ídolos em um acidente aéreo difícil de engolir.


Mas aí, onde está o aprendizado?

Eu digo que está em olhar prá tudo isso e ver que só a gente pode mudar o curso da história. Não adianta só ver o defeito no outro, a possibilidade de mudança no outro...aí meu caro, nada vai mudar mesmo.
Se cada um de nós fôssemos justos, honestos, não haveria corrupção por que não haveria a quem corromper.
Não dá pra ir para uma manifestação exigir justiça, fim da corrupção se você fura fila, não dá a vez no trânsito, sempre tenta "dar um jeitinho" para conseguir alguma vantagem. 
A mudança começa por nós. E esse foi o maior recado de 2016.

Para minha vida, 2016 foi um bom ano.

Me dediquei a fazer o que gosto e com quem eu gosto. Fiz novos amigos, descobri que estou na fase bem mais diurna que noturna e me entendi muito mais.
Vivi um dos momentos mais difíceis na minha profissão com a cobertura do acidente envolvendo os jogadores do time amado da Chapecoense e nossos colegas de profissão e com isso levei como lição aproveitar ainda mais meus dias, meus amigos, meus amores, minhas paixões.  Me deu uma vontade imensa de ser melhor para mim mesma e aí está uma meta que já estou seguindo: respirar mais, pensar mais, ouvir mais. E falando em profissão, amadureci profissionalmente, passei a ter um olhar mais realista mesmo sendo apaixonada pelo que faço.

2017 está chegando como alívio para muitos, mas eu digo que será outro ano forte, só que para quem prestou atenção em 2016 e aprendeu, com certeza, será um ano melhor sim.

Eu, particularmente, adoro anos ímpares então começo o ano com uma dose a mais de carinho por ele e aí já é meio caminho andado.

Feliz ano novo turminha! 

Que possamos ser mais sinceros com a gente mesmo, mais fiéis a nós mesmos e que possamos dar o devido valor a dádiva que é "estar vivo"!!!
Bora ser feliz porque ninguém está aqui para sofrer!!!!







sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O legado de uma tragédia



Desde a madrugada daquela terça feira, 29 de novembro, eu já escrevi vários textos sobre a tragédia que matou jogadores, amigos da Chapecoense e jornalistas.
Não publiquei nada... mas hoje resolvi fazer um post para agradecer a meus colegas (os que eu conhecia e os que não) pelo aprendizado e pelo legado dessa que foi a cobertura jornalística mais triste e mais difícil da minha história de 31 anos de jornalismo. 
É impossível traduzir em palavras o que foi trabalhar naquela semana. E eu nem ousaria tentar. E nem preciso, basta lembrar que em nenhuma outra cobertura vimos tantos repórteres emocionados ao vivo, muitos chorando sem parar, outros com vozes embargadas. Nunca tinha visto isso, com tanta intensidade, antes. E que bom que foi assim, somos humanos!!
Nos bastidores a gente chorava junto e acho que até muito mais ... era sempre um olhar vago...

Eu acordei naquela madrugada com 85 mensagens no Whats, não era normal. Abri e a primeira mensagem que vejo foi: "Avião da Chape caiu". Comecei a rolar aquelas mensagens e eu só falava: não, não...não é verdade. Lembraram que nossa equipe estava no vôo e aí eu desmontei. Me arrumei correndo e fui pra TV. E lá eu vi uma redação em choque, tentando apurar mais informações e com a esperança de muitos sobreviventes. Poxa, a gente estava em  festa com a Chape, vibrando com eles e aí acontece isso?
Colegas de todos os jornais e horários subiram... todos num mutirão voluntário sem acreditar no que acontecia. Nos abraçamos e choramos muito, muito. E passamos a semana inteira assim e esse foi o maior legado: descobrimos que somos muito mais parceiros do que pensávamos.
Eu explico: nossa rotina é uma loucura justamente por não ter rotina. Acabamos nos rendendo a correria e esquecemos de olhar para o lado. E alí, na dor, todos nós passamos a nos ajudar, a nos olhar nos olhos, a dividir a dor e o trabalho. Era uma força tarefa para fazer um Jornal. Quando  terminava a gente sentava e chorava...respirava e partia pro próximo. 
Foi muito trabalho, mas foi muita equipe.

Alí, no meio de tudo aquilo comecei a ver a repercussão da tragédia: o mundo todo se pronunciando e chorando. A #forçachape viralizando... e o que foi aquela homenagem do Altético, em Medelin? Que lição eles nos deram...e tomara que tenhamos aprendido uns 20% com o que eles fizeram que foi monstruoso em bondade e solidariedade.
E aí você para e pensa: que força tem a Chapecoense!!!



É que a "Chape" como chamamos a Chapecoense, é um time grandioso. Eu e boa parte da redação sempre que falamos na Chape rola um suspiro: "Ahhh a Chape". Porque era um time sem estrelas milionárias, sem frescura e muito amor pelo futebol. Um time que cresceu graças a gestão eficiente da diretoria e a paixão de seus jogadores pela profissão. Nunca colocaram barreiras para a imprensa, sempre foram descomplicados, sem estrelismos. Eles mereciam estar onde estavam. E pelo visto o mundo todo sabia disso.
Aí soma-se um punhado de jornalistas gente boa. Uns caras iluminados. Nossos 5 colegas de empresa eram jovens, estavam também na melhor fase da carreira e todos estavam lá porque eram brilhantes no que faziam...e aí do nada "puft"...tudo acaba. Olha, até a gente entender tudo isso foi muito sofrimento.

No velório, na catedral, eu falei com alguns pais que nos deram uma lição de vida. Aqueles meninos só podiam ser iluminados mesmo porque a família de cada um deles é especial. Alí choramos muito mais uma vez, e parece que concretizou tudo o que vivemos.

Nossa redação não é mais a mesma, nos fortalecemos como equipe e colegas e sei que tem a energia deles em tudo isso.

Mas acima de tudo, acho que quem viveu de perto essa perda (e até de longe) percebeu o recado do universo: temos que mudar nossa energia. Temos que valorizar os encontros, os amigos, a vida. temos que diminuir o ódio e aumentar a compreensão. Falar menos e ouvir mais e principalmente AMAR mais.

Eu recebi muitas mensagens pelo Whats, no inbox do face, de pessoas próximas e de pessoas que nunca imaginei que se preocupariam comigo. E como foi importante ler cada uma delas...minha nossa...que valor tem esse olhar carinhoso.

Hoje, tô bem mais leve... e espero que muitas fichas ainda caiam para que eu melhore como ser humano. Obrigada meus queridos...em especial ao Djalma e ao Bruno com quem eu convivia, pelo aprendizado, pela força e por tudo que vcs fizeram aqui em vida. Pelos profissionais que vocês foram, pela paixão pelo jornalismo.
Obrigada!!!!

A nossa querida Chape vai virar uma potência porque continua com os pés no chão e futebol na alma e nós vamos estar lá, acompanhando tudo e eu torcendo muito.
O Atlético Nacional ganhou uma torcedora a mais e espero que mundo redescubra o verdadeiro significado de solidariedade!!!
Bora alimentar o "olhar carinhoso".

domingo, 30 de outubro de 2016

Marisa Monte e um vilarejo de emoções!!!!




Eu já assisti a uns 5 shows da Marisa Monte, mas nenhum superou o que eu vi hoje no palco do centro Sul em Florianópolis.
Não havia cenário grandioso, nem projeções, nem troca de figurinos.
Curiosamente, foi o show "mais simples" dela, mas o melhor, sem sombra de dúvidas. O motivo? Marisa está cantando como nunca e acompanhada por uma banda monstra com 4 músicos que se completam em suas genialidades.
Prá coroar tudo isso um repertório lindo passando por várias fases da cantora sem esquecer de músicas ícones dos Tribalistas.
Que presente que essa mulher está dando ao seu público!!!



Sobre a Marisa!
No show "Mais" isso lá no começo da carreira da Marisa (ela já havia despontado no mercado), eu tive a honra de entrevistá-la pela primeira vez. Isso faz muito tempo, eu era repórter do JA ainda. E lembro que na época o que me encantou nela foi a devoção dela à música. Ela estava à serviço da música que cantava. Escolhia cada uma que faria parte dos seus CDs com um cuidado encantador. E cada música tinha um motivo. Me falou que só cantava onde havia espaço para o cenário do show e onde houvesse qualidade acústica. Na época, ela ainda cabia no teatro do CIC, em duas noites, mas cabia. E realmente, mais tarde, quando saiu o CD do show vi que o cenário era exatamente aquele que estava no CIC.
Anos mais tarde a entrevistei de novo. Desta vez ela estava em Floripa para mostrar "Barulhinho Bom". Cenário mais simples, mas a mesma devoção pela música. E aí, ela como uma mega estrela da nossa música, me chamou atenção pela disponibilidade. Ela chegava um dia antes na cidade para atender à imprensa, nos dias de show ela fala pouco. E não atendia com pressa... conversava com calma e mesmo depois de encerrar a gravação conversamos um outro tanto e lá estava ela novamente à serviço da música, falava apaixonada sobre os detalhes da música, do preparo cênico, de cada detalhe do show pensado por ela. Nada está ali, em cena, por acaso.
Hoje vejo que ela continua exatamente assim: inteira no palco. Sentindo o que canta e cantando muito.
Marisa Monte respira e vive sua arte e faz dela um "detalhe" tão maior que a própria Marisa fica pequena: nunca ouvimos falar da vida particular dela, nunca vimos ela sendo notícia em badalações. Simplesmente porque ELA não é o mais importante. ELA é um instrumento para essa musicalidade toda alcançar os corações de milhares de pessoas.
Prá mim, a artista mais completa que temos. Ela participa de toda a criação que envolve seu show e sente cada acorde de cada arranjo feito para suas músicas.
E que dádiva!!!


Sobre o show!
Marisa conseguiu reunir um repertório de acelerar o coração, encher os olhos de lágrimas, balançar o corpo que ficou com vontade de sair dançando por aquele Centro Sul. Foi  um balaio de emoções.
Cada música que começava eu e a minha amiga Débora nos olhávamos "minha nossa"..."avemaria"..."não acredito"... cada soco no estômago que vou te contar rsrsrs
Ela abriu com Infinito Particular, como se estivesse dando as boas vindas ao público que estava entrando em seu universo particular.

(...) Eis o melhor e o pior de mim
O meu termômetro o meu quilate
Vem, cara, me retrate
Não é impossível
Eu não sou difícil de ler
Faça sua parte (...)


E aí seguiu com uma lista de músicas de doer a alma, claro que não lembro da ordem, mas teve: Maria de Verdade, Dança da Solidão, Depois, Alta Noite, Beija Eu, Segue o Seco, Carnavália, Balança Pema, Amor I love You, A menina Dança, Eu Sei, Gentileza, A Sua, A Velha Infância, Ilusão (que ela gravou com Julieta Venegas), Vilarejo e com certeza esqueci alguma.

E aí quando ela cantava "A Menina Dança" eu fiquei pensando: como é mágica a música. Essa música foi lançada pelo grupo Novos Baianos, na voz de Baby Consuelo. Dadi, o baixista que estava no palco, fazia parte dos Novos Baianos e Pedro Baby, guitarrista que também estava no palco, é filho de Baby com Pepeu Gomes e nasceu naquela época em que os pais viviam em uma comunidade, digamos, "hippie" (os Novos baianos moravam juntos em um sítio). Hoje estão os dois ali, tocando juntos, com uma cantora que foi buscar no baú as canções dos Novos Baianos no trabalho Barulhinho Bom. ( aliás Novos baianos voltaram e estão em turnê pelo Brasil, tomara que venham para Floripa).

É um passeio pelo tempo, uma reunião de gerações que só a música boa consegue fazer.
Além de Dadi  e Pedro Baby, estão com ela no palco, Marcelo Costa na bateria e Pretinho da Serrinha na percussão, bandolim.


Bom, o show acabou com o público de pé. Quando Marisa voltou para o bis, ninguém mais sentou. Marisa encerrou dando início a Bem que se Quis, à capela e deixou o público cantando, como ela sempre faz.
Ficou a vontade de ver tudo de novo... saímos de lá com o coração em paz e com aquele banho na alma.

Marisa disse que esse show não tem grandes cenários, projeções, porque é um show entre um trabalho e outro. Ela encerrou o contrato com a gravadora e agora deve lançar suas novas músicas em plataformas digitais. Talvez singles. Enfim, pode fazer do jeito que achar melhor porque sempre vem coisa boa!
E aí ela fala que é um "show de férias"...olha Marisa, podes tirar mais vezes férias assim, viu? A gente vai amar fazer parte desse roteiro de descanso rsrsrsrsrs

Quero aqui parabenizar e agradecer muito a Eveline Orth e toda a sua equipe que nunca deixam de trabalhar por nossa cultura e pra trazer cultura para nosso Estado. MUITOOOOO OBRIGADAAAAA.


Obs: minhas fotos de celular não prestaram, coloquei aqui só para registro. Mas vai rolar foto profissional no face da Luiza Filippo...aconselho a dar uma conferida.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Marley in Camerata !!!



 
É difícil interpretar emoções e muito mais difícil descrever exatamente o que a gente sente em determinadas situações.
Pois é, fiquei aqui pensando em o quê escrever sobre o espetáculo “Marley in Camerata” e não encontrei uma forma tão forte de começar esse texto quanto foram as emoções que senti lá no Teatro do CIC.
Foi incrivelmente lindo, incrivelmente bem lapidado e mais incrivelmente ainda interpretado.
Bom Marley é um Entidade! E todos que estavam naquele palco reverenciaram esse cara que realmente viveu o que pregou. Porque em dias que vejo tanta gente escrevendo textos enormes, se posicionando lindamente em redes sociais, mas pouco fazendo na vida pessoal, valorizo ainda mais quem vive o que fala e Bob viveu.
Foi um artista que usou sua música, sua popularidade para falar de amor, liberdade e respeito. E, mesmo famoso, nunca deixou de ser ele mesmo, de viver o que exatamente acreditou.
Suas músicas refletem tudo isso...e como emociona quando você pára prá escutar Bob Marley. Ele consegue ser unanimidade até para quem não é tão fã de reggae. O Bob É O BOB!!!

 

E por isso tudo o espetáculo foi emoção na veia.  
Arranjos muito bem feitos pelo compositor Alberto Heller, que também participou do show ao piano, deram uma aura ainda mais especial para as composições.
Além dos 20 músicos da Camerata Florianópolis, regida pelo maestro Jeferson Della Rocca, participam do espetáculo os integrantes da banda Marley’s Live:Mauro Branco, Jaime Batista, Fernando Morrison, Cahue Carvalho e Diego Butch,  e os vocalistas convidados Gabriel Melloy, NizioJr e Tiago Costa.
O repertório escolhido foi outro ponto que merece destaque: músicas de todas as fases da carreira de Bob Marley fugindo do óbvio. Foi um belo passeio afetivo.

Parabéns aos músicos pela interpretação primorosa, pela emoção nos olhos, ao Mauro Branco por ter idealizado esse encontro.
Um PARABÉNS gigante para o Maestro Jeferson Della Rocca pelo trabalho que vem fazendo com a Camerata Florianópolis, trazendo a música clássica cada vez para mais perto do público! Um trabalho de ouro!!!!

Foram três apresentações e todas elas com ingressos disputadíssimos. A Camerata quer realizar esse projeto ao ar livre e eu estou aqui torcendo muito para que isso aconteça porque o espetáculo merece e se isso acontecer vai ser ainda mais  lindo!!!!





domingo, 2 de outubro de 2016

Jim - a peça que traduz Jim Morrison

                                            
                             Foto: Marcelo Faustini / Divulgação
 
 
Um fã que resolve seguir os passos do seu ídolo e entende a mensagem que esse ídolo quis passar em vida, do seu jeito.
Essa é linha da peça "Jim", que fala do legado de Jim Morrison, vocalista da banda The Doors.
Eriberto Leão interpreta esse fã alucinado, João Mota, que entende que tudo na vida do seu ídolo gira em torno da morte e que, por isso, a vida dele também tem que flertar com a morte em um jogo de roleta russa.
 
O texto é provocante, instigante e às vezes até incômodo. A contracultura na veia. Da metade da peça em diante Eriberto contracena com Renata Guida, que faz o contraponto mostrando que muito mais do que a morte Jim Morrison queria é a vida!
 
Mas o melhor da peça, na minha opinião, foi a parte musical. Clássicos do The Doors divinamente interpretados por Eriberto e por músicos maravilhosos que ficam em segundo plano, quase invisíveis atrás da cortina e aparecem somente sob o efeito da luz. Mas que banda boa!
E Eriberto mandou muito bem na interpretação.
Um baita espetáculo para quem curte e quer se aprofundar um pouco mais na densa história de Jim Morrison.
O texto é de Walter Daguerre e a direção de Paulo Moraes.
 
Eu curtia The Doors sem ter noção da história e da profundidade daquela música na vida de tantos jovens da época.
Em 1996 fui a Paris e, como admirava Jim, fiz questão de fazer uma visita mórbida ao túmulo do artista do cemitério Pere Lachaise. Lá também estão as lápides de Piaf e Allan Kardec, entre outros.
 
É tanta gente famosa lá, que o cemitério tem mapa com as indicações para turistas. Na época, não tinha noção que existia esse interesse assim tão grande.
 
Bom ao chegar em frente ao túmulo de Jim Morrison fiquei chocada com a comoção ainda vista lá. Havia segurança no local, e só lá.
O motivo de ter segurança era porque os fãs roubavam tudo lá: já tinham refeito a lápide algumas vezes. Inclusive, quando fui lá o túmulo estava sem lápide porque tinha sido roubada mais uma vez. Então colocaram segurança que além de evitar novos roubos tinha a missão de fazer a fila de fãs andar. Sim, fila mesmo.
 
 
 
Quando cheguei lá, um rapaz com uma garrafa de bebida em uma mão e com a outra mão enterrada na areia que cobria o túmulo, sem lápide. Ele chorava copiosamente. Outras pessoas na fila para tirar fotos também choravam, muitos bebendo...era uma coisa maluca, como foi maluca a trajetória de Jim.
Quando chegou a minha vez, tirei foto do túmulo. Lembro que fiz uma oração em silêncio, mas meio sem entender todo aquele movimento mesmo 25 anos depois da morte daquele cara. Uma coisa impressionante!
Segui o passeio pelo cemitério, que por mais tétrico que pareça, é uma belíssimo passeio porque o cemitério é lindo, e no caminho encontrei outros grupos de jovens bebendo, fumando e cantando músicas do The Doors.
Alí me deu vontade de conhecer melhor a historia daquele cara que eu já admirava e descobri o motivo de tanta gente cultuar a memória dele: ele era um jovem com suas angústias, suas perguntas, mas acima de tudo livre! E quem não sonha com essa tal de liberdade?
 
Depois da peça rolou um papo porque a peça merece.
Parabéns a Vivo pela inciativa "Encontros Vivo EnCena", que leva cultura de qualidade para o Brasil inteiro.
É disso que a gente precisa!
 
 

domingo, 25 de setembro de 2016

Orquestra de baterias de Florianópolis!



Temos a maior orquestra de baterias da América Latina!!!!
É nossa graças a um evento que só acontece pelo interesse e dedicação dos músicos Alexei Leão, Richard Bondan e Rafael Bastos, e pela produtora Paula Borges, da Harmonica Arte e Entretenimento.



A Orquestra de Baterias surgiu durante a Maratona Cultural. Foi um dos eventos da Maratona que mais encantou os organizadores e quem participou dele. Na época, foram pouco mais de 50 bateras e já mexeu com a emoção da galera.
A maratona acabou não acontecendo mais por falta de patrocínio e de visão cultural dos nossos políticos, mas a orquestra sobreviveu graças ao empenho e paixão do Alexei, Richard, Rafael e Paula e chega na quarta edição com 211 bateristas descendo a lenha em um repertório rock'n'roll na veia.
Hoje acontece no Largo da Catedral, mas logo, logo vai ter que mudar para um espaço maior!



Foi bonito de ver participantes de todas as idades, pais com filhos no colo, ou dividindo a bateria com eles.


 
 

211 baterias e todos acertando o passo mesmo sem ter feito um só ensaio juntos...loucura!
Quando os músicos se inscrevem recebem a lista das músicas, ensaiam sozinhos e aí vão pro abraço.

Tem uma banda de apoio que reúne vários músicos. Hoje estiveram lá os guitarristas: Hique D'Ávila, Oto Novaes, Maurício Peixoto, Thiago Born, Calone Metaleiro, Márcio Costa.
Os baixistas: Andrey Riley, Geraldo Borges, Baba Junior.
Os vocalistas: Rodrigo Peplau, Robson Dias, Duda Medeiros, Nelson Vianna, Dudu Fileti, Alexei Leão.
Os bateristas: Alexei leão, Rafael Bastos, Richard Bondan, Ginho Beardes, Andrey Riley, Hique D'Ávila, Oto Novaes.
O repertório da quarta edição estava no clima de Metallica, White Stripes, Led Zeppelin e de surpresa o hino de Floripa "Rancho de Amor a Ilha" na voz de Dudu Fileti.

 
 
Teve ainda a participação da banda da Polícia Militar de Santa Catarina!
 


Neste ano, a orquestra teve alguns apoios que contribuíram muito para diminuir os custos: Heineken e os food truks contribuíram com uma pequena quantia em dinheiro. Alguns participantes doaram uma grana, o instituto Maratona Cultural pagou as licenças na prefeitura e parte do som. A Atré fez assessoria de imprensa de graça e a Agência de publicidade Toró, do músico Mauricio Peixoto fez a campanha também de graça.


É uma união de forças que faz acontecer e isso é muito importante. Mas é bom lembrar que eventos assim deveriam também ter apoio da prefeitura. Cultura de graça é a construção da cidadania. Mas tá difícil de entenderem isso. Hoje estavam lá vários candidatos a prefeito, a vereadores e Alexei deu o recado: "não lembrem da gente só na hora que aparecer para pedir voto, lembrem depois também. "
É o que a gente espera e é o que vamos cobrar. Precisamos de eventos gratuitos, sem propina, sem aquele tipo de negociação nojenta. Precisamos de cultura, precisamos fazer nossos artistas circularem e aí é preciso sim de apoio limpo.
Vamos ficar de olho no voto turminha...temos a arma na mão!!! Não dá mais pra aceitar um prefeito ou prefeita que não aparece em eventos como este. Não dá mais pra aceitar a falta de sensibilidade com nossa cidade. E não dá pra aceitar oportunistas. Bora fazer a coisa séria. Começa por cada um e depois a gente cobra dos "políticos".

E só uma constatação: nossa cidade está abandonada não só na cultura, mas na cidadania também. Passando pela Deodoro fiquei impressionada com o dormitório a céu aberto que a região se tornou. Fora isso, muitos flanelinhas intimidando as pessoas, olha, fiquei realmente impressionada. Fazia tempo que não circulava em um domingo no centro na cidade. Tristeza!

Por isso eventos como a orquestra de Baterias são tão importantes!! Coloca VIDA na cidade.
Parabéns Alexei, Rafael, Richard e Paula. Vcs são maravilhosos no amor ao que fazem e que nosso futuro político traga pessoas com mais visão para que nossa cidade volte a ter eventos gratuitos como a maratona e muitos outros.

Em tempo: dá uma olhada lá na página da Sobretons Fotografia, no facebook. Já tem fotos lindas de hj lá. As minhas aqui são de celular e com uma qualidade bem duvidosa rsrsrsrs