domingo, 2 de outubro de 2016

Jim - a peça que traduz Jim Morrison

                                            
                             Foto: Marcelo Faustini / Divulgação
 
 
Um fã que resolve seguir os passos do seu ídolo e entende a mensagem que esse ídolo quis passar em vida, do seu jeito.
Essa é linha da peça "Jim", que fala do legado de Jim Morrison, vocalista da banda The Doors.
Eriberto Leão interpreta esse fã alucinado, João Mota, que entende que tudo na vida do seu ídolo gira em torno da morte e que, por isso, a vida dele também tem que flertar com a morte em um jogo de roleta russa.
 
O texto é provocante, instigante e às vezes até incômodo. A contracultura na veia. Da metade da peça em diante Eriberto contracena com Renata Guida, que faz o contraponto mostrando que muito mais do que a morte Jim Morrison queria é a vida!
 
Mas o melhor da peça, na minha opinião, foi a parte musical. Clássicos do The Doors divinamente interpretados por Eriberto e por músicos maravilhosos que ficam em segundo plano, quase invisíveis atrás da cortina e aparecem somente sob o efeito da luz. Mas que banda boa!
E Eriberto mandou muito bem na interpretação.
Um baita espetáculo para quem curte e quer se aprofundar um pouco mais na densa história de Jim Morrison.
O texto é de Walter Daguerre e a direção de Paulo Moraes.
 
Eu curtia The Doors sem ter noção da história e da profundidade daquela música na vida de tantos jovens da época.
Em 1996 fui a Paris e, como admirava Jim, fiz questão de fazer uma visita mórbida ao túmulo do artista do cemitério Pere Lachaise. Lá também estão as lápides de Piaf e Allan Kardec, entre outros.
 
É tanta gente famosa lá, que o cemitério tem mapa com as indicações para turistas. Na época, não tinha noção que existia esse interesse assim tão grande.
 
Bom ao chegar em frente ao túmulo de Jim Morrison fiquei chocada com a comoção ainda vista lá. Havia segurança no local, e só lá.
O motivo de ter segurança era porque os fãs roubavam tudo lá: já tinham refeito a lápide algumas vezes. Inclusive, quando fui lá o túmulo estava sem lápide porque tinha sido roubada mais uma vez. Então colocaram segurança que além de evitar novos roubos tinha a missão de fazer a fila de fãs andar. Sim, fila mesmo.
 
 
 
Quando cheguei lá, um rapaz com uma garrafa de bebida em uma mão e com a outra mão enterrada na areia que cobria o túmulo, sem lápide. Ele chorava copiosamente. Outras pessoas na fila para tirar fotos também choravam, muitos bebendo...era uma coisa maluca, como foi maluca a trajetória de Jim.
Quando chegou a minha vez, tirei foto do túmulo. Lembro que fiz uma oração em silêncio, mas meio sem entender todo aquele movimento mesmo 25 anos depois da morte daquele cara. Uma coisa impressionante!
Segui o passeio pelo cemitério, que por mais tétrico que pareça, é uma belíssimo passeio porque o cemitério é lindo, e no caminho encontrei outros grupos de jovens bebendo, fumando e cantando músicas do The Doors.
Alí me deu vontade de conhecer melhor a historia daquele cara que eu já admirava e descobri o motivo de tanta gente cultuar a memória dele: ele era um jovem com suas angústias, suas perguntas, mas acima de tudo livre! E quem não sonha com essa tal de liberdade?
 
Depois da peça rolou um papo porque a peça merece.
Parabéns a Vivo pela inciativa "Encontros Vivo EnCena", que leva cultura de qualidade para o Brasil inteiro.
É disso que a gente precisa!
 
 

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