domingo, 2 de novembro de 2008

REFLEXÃO JORNALÍSTICA!

Ontem assistindo ao programa Altas Horas (um dos melhores, senão o melho, programa da Globo da atualidade) ouvi do reporter Walmir Salaro ao ser interrogado por Serginho sobre como se sente ao cobrir fatos policiais, a seguinte afirmação: ele disse que se sente responsável também e fez uma autocrítica "no caso recente da tragédia que matou Eloá, quem diz que a imprensa não teve um papel fundamental no desfecho trágico desta história? Deram tanto poder, transformaram aquele adolescente em uma celebridade do mal que ele cumpriu seu papel e matou a ex- namoarada". Imediantamente me lembrei de uma conversa com Adriana Krauss, minha colega de trabalho e uma das melhores reporteres que temos hoje em SC, onde ela me falou a mesma coisa: "a maior culpada pela tragédia foi da imprensa."
Ouvindo de novo sobre isso me deu vontade de colocar essa visão aqui. Afinal seria muito importante se a imprensa brasileira parasse um pouco para discutir seu papel diante da liberdade de imprensa. Até onde vai a responsabilidade ou irresponsabilidade?
Eu sempre fui contra a matérias que relatam os detalhes de um fuga, de tráficos de drogas ou mesmo de crimes bárbaros. É batata: se noticia um, semana que vem tem outros tantos iguais. Funciona como uma escola do crime.
Não sou a favor da censura, mas do bom senso. Prá que detalhar tanta barbaridade? Por que transformar uma briga de casal em um fato nacional com tanta importância? Claro que o tal do Lindenberg via a cobertura josnalística na TV, se sentiu o máximo: ele dominando todo mundo.
Se o espetáculo não tivesse acontecido quem sabe o final tivesse sido outro.
É importante pensar sobre isso. É importante colocar o pé no freio.
Violência dá audiência, mas será que não vale um ato corajoso de se optar por uma nova linguagem jornalística? Dar menos importância aos atos de violência e divulgar mais cultura e boas ações....não se trata de fechar os olhos para a violência e sim provocar nos telespectadores uma reação a toda essa barbaridade em que vivemos hoje.

4 comentários:

Bel disse...

Quando vi aquela barbárie pensei a mesma coisa apesar de não ser da área. Vendo a reflexão feita por ti e teus pares confirmo minha intuição. Tão triste aquele episódio, tens tanta sabedoria em pensar num freio sustentado pelo bom-senso. Teu anúncio é tão significativo, cumpre sua função social.
Um beijo, querida,
Bel.

jeanmafra disse...

ai ai ai.
o andré, batera da samambaia sound club, e que é também jornalista disse a mesma coisa para mim...
agora, infelizmente, acho, só uma parcela pequena de jornalista deve pensar assim.

vá perguntar pra esses jornalistas de porta de cadeia - os verdadeiros responsáveis - o que eles acham.

Ligia Gastaldi disse...

Bel!!! Vc tem o dom de falar claramente, adoro seus comentários. Sei que é ilusão da minha parte acreditar que os senhores da informação vão mudar a direção editorial, mas é importante falar...flar....e falar...quem sabe né?
Jean, que bom saber que tem mais gente pensando assim e realmente, os jornalistas "porta de cadeia" e até outros acabam entrando nessa roda viva de transformar bandidos em celebridades. Falta a autocrítica e a coragem de dizer: isso eu não quero e aguentar o tranco da cobrança do editor chefe. Isso pode custar o emprego e aí é que que a coisa pega.
Mas vamos dando fôlego para essa discussão. É mais que necessário!

Bel disse...

Querida,
... que bom dialogar contigo! Entre nós, prazer viu, Jean (já ouvi muito falar de ti através do olhar de admiração da Ligia, inclusive. Falta apenas eu te ouvir... bem sei).
Ligia, não acho que seja ilusão, não! Ao contrário, admiro-te justamente por não se deixar adormecer nesses tempos de temporais. Sinto que estás viva, que acreditas apesar de tudo. Que sabes do poder que o exercício da tua profissão exerce em tempos tão midiaticamente velozes. Tudo se passa pela tela, ela se tornou um grande espelho, ela dá o tom da"forma". Um espelho que emoldura homogeneidades. Mas há espaços de resistências.
Há pessoas que resistem e insistem...como tu.
Um beijo,
Bel.